Pix parcelado ou cartão de crédito? Entenda qual opção pesa menos no seu bolso

tela de celular para o pix parcelado

Pix parcelado já está disponível em algumas instituições – Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil/ND

Com promessa de agilidade, o Pix parcelado chega como uma alternativa real ao cartão de crédito. Mas será que ele vale mesmo a pena?

Como funciona o Pix parcelado e como ele pode virar tendência

Com lançamento previsto oficialmente para setembro, o Pix parcelado é uma das grandes apostas do Banco Central para transformar a forma como o brasileiro consome. A ideia é simples: permitir que uma transferência via Pix seja feita mesmo sem o valor total disponível em conta.

“Se for um pagamento de um valor mais alto do que o comum ou mais alto do que aquilo que o próprio consumidor tem de valor disponível na conta, ele pode optar por fazer um pagamento em Pix parcelado”, explica o economista e professor de Relações Internacionais da Univali e da UFSC, Daniel Corrêa da Silva, em entrevista ao ND Mais.

Na prática, o consumidor pode fazer, por exemplo, um Pix de R$ 1.000 mesmo tendo apenas R$ 500 na conta. O valor total é transferido para o recebedor imediatamente, enquanto o pagador arca com as parcelas diretamente no aplicativo do banco, como se fosse um “crediário”.

Vantagens: acessibilidade, velocidade e taxas menores que o cartão

Entre os atrativos do Pix parcelado estão a facilidade de uso e a democratização do crédito. É uma solução prática para quem não tem cartão ou não tem limite disponível.

“Não existem critérios prévios para definir a participação do consumidor nessa modalidade de crédito, ou não. O acesso, a princípio, é pleno. O que pode acontecer é o fato de que o banco faz uma análise de crédito e passa a customizar essa oferta junto ao consumidor”, explica Daniel Corrêa.

Outro ponto relevante é que o Pix parcelado tende a ter juros bem menores do que os cobrados pelo cartão de crédito.

“As transações que ocorreram desde o final do ano passado apontaram para taxas de juros ao mês de cerca de 2,1% a 2,5%, o que vai resultar em taxas anuais em torno de 28%. Com taxas de juros do cartão de crédito, existem modalidades que cobram juros de 15% a 18% ao mês”, ressalta Daniel.

A praticidade é outro diferencial. A transação acontece em tempo real, como no Pix tradicional, e o processo de parcelamento é feito na hora da transferência, direto pelo aplicativo do banco ou instituição financeira.

Desvantagens: risco de endividamento e ausência de benefícios

Tela do celular aberta no pix

Pagamentos poderão ser feitos a partir de aplicativos de bancos e carteiras digitais – Foto: Enrico Sordili/R7/ND

Mesmo com tantas vantagens, o Pix parcelado não é isento de riscos. A facilidade de uso pode se tornar uma armadilha para quem não tem controle financeiro, especialmente porque os pagamentos ocorrem na mesma data da compra, diferente do que acontece com o cartão.

“Se eu faço uma compra no dia 25 de um mês, a próxima parcela do meu Pix parcelado vai ocorrer com débito no próximo dia 25 também”, explica. Caso o cliente não tenha o valor em conta, o banco irá cobrar juros do uso do saldo de cheque especial.

Esse tipo de operação pode impactar negativamente o score de crédito do consumidor, caso não haja organização. Vale ressaltar que o Pix à vista não influencia no score por não ser uma modalidade de crédito.

Além disso, diferentemente do cartão, o Pix parcelado não oferece programas de pontos, milhas ou cashback. Para quem valoriza esses benefícios, essa pode ser uma grande desvantagem.

E o cartão de crédito, ainda vale a pena?

Apesar das altas taxas de juros, o cartão de crédito segue oferecendo vantagens competitivas, como parcelamento sem juros em algumas lojas, ampla aceitação e acúmulo de benefícios como pontos e milhas.

Mas a concorrência agora é real. O Pix parcelado pode se destacar justamente pela possibilidade de parcelar compras mesmo sem limite no cartão e com mais parcelas do que o habitual.

“Em cartão de crédito, nós vamos geralmente de 10 a 12 vezes como limite de parcelamento. No Pix parcelado, algumas instituições já têm oferecido modalidades de 24 vezes para pagamento”, destaca Daniel.

Então, o que vale mais a pena?

A resposta depende do seu perfil financeiro. Se você tem controle sobre os gastos e aproveita bem os programas de fidelidade do cartão, ele ainda é uma boa opção. Por outro lado, se busca algo mais direto, com taxas potencialmente menores e agilidade, o Pix parcelado pode ser o melhor caminho, desde que usado com consciência.

Pessoa comprando/pagando online uma compra em Pix

Com o Pix parcelado, o consumidor tem mais autonomia na hora de comprar – Foto: Freepik/ND

“Essa é uma modalidade de crédito e, como tal, não é recomendada que seja utilizada para contas de consumo correntes, como o pagamento de supermercado, água e luz. Pode gerar um efeito em bola de neve e fazer esse consumidor ficar bastante endividado”, ressalta o economista e professor Daniel.

O Pix parcelado pode ser uma alternativa útil, mas exige atenção. Compare as condições, calcule os custos e use com planejamento. Com controle, ele ajuda. Sem, vira dívida.

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