‘Justiça para seguir a vida’: famílias de vítimas se unem em julgamento de motorista em SC

Um julgamento marcado por comoção. Antes do início do júri desta quinta-feira (15), as famílias das vítimas do acidente, Alícia Bindemann Carini, de 5 anos, e Fernando Martins de Albuquerque, 34, carregavam no peito as fotos das vítimas e no rosto, a tristeza pelo ocorrido, assim como a esperança de que a justiça seja feita. O réu é acusado de ter matado as vítimas ao dirigir alcoolizado em dezembro de 2021 em Rio Negrinho.

Famílias estampam rosto de vítimas no peito: “apelo por justiça” – Foto: Felipe Bambace/NDTV

“Preciso de justiça para continuar seguindo minha vida”, diz Michelle Bindemann, mãe da pequena Alícia. “Minha esperança é que eu não saia daqui decepcionada. Colono na mão da Justiça, na mão de Deus, comenta a mãe de Fernando, Maria de Lourdes Martins de Oliveira.

Fernando era o único filho  de Maria. Ele chegou a ser internado após o acidente, mas não resistiu e morreu no hospital. “Eu só tinha ele mesma. Meu marido faleceu em 2012 e pra mim é bastante pesado, mas bastante complicado mesmo. Ele era tudo pra mim entendeu”, diz a mãe.

Além de Alicia, Michelle é mãe de um outro menino, de 4 anos. “Muito difícil, eu sinto que eu preciso guardar a minha dor pra cuidar da dor dele. Ele sente muita falta da irmã. Ele sonha com ela, ele olha uma estrela e diz ‘olha, mamãe, é a Alicia’”, conta Michelle.

Tios e primo de Alícia participam do julgamento – Foto: Felipe Bambace/NDTV

Diante da dor e da falta dos filhos, ambas as mães pedem justiça e, assim, evitar que outras famílias passem pelo mesmo trauma.

“Nós vamos trabalhar para que saia a condenação. A família espera por justiça há mais de 1 ano e foram duas vidas perdidas. Não foi um acidente, a pessoa que dirige depois de ingerir bebidas alcoólicas com certeza está assumindo o risco de causar tragédias como essa”, afirma Juliana Sobreira, advogada de acusação.

Defesa nega homicídio doloso

Para o advogado que defende o réu Elias Mariozam Martendal, Diego Eduardo Koprowski, o caso trata-se de um acidente, com homicídio doloso, ou seja, que não houve intenção de matar.

“A nossa expectativa é que seja provado que de fato foi um acidente e não uma tentativa de homicídio como a promotoria está tentando arquitetar. A defesa destaca que não buscamos aqui uma absolvição, ele será condenado, sairá daqui condenado, contudo pelo homicídio culposo, que foi o que que aconteceu neste caso”, diz Pedro Alves, também advogado de defesa.

Julgamento longo

Para o juiz Rodrigo Clímaco José, o julgamento, bastante esperado pelas famílias e o acusado, deve ser longo. O magistrado comenta que, devido ao envolvimento das famílias das vítimas e do réu, assim como toda a tristeza que envolve o caso, o tribunal irá buscar fazer um julgamento da maneira mais tranquila para todos.

Familiares e amigos se reúnem para acompanhar o julgamento – Foto: Felipe Bambace/NDTV

“A gente sabe que é um momento bastante difícil, que todos estão sofrendo, não apenas familiares das vítimas como também familiares do réu. O que a gente quer é que tenha um julgamento justo e vamos tentar ser o mais rápido possível dentro respeitando todos os procedimentos legais”, diz o juiz.

O julgamento começa na manhã desta quinta-feira, mas há possibilidade de ser finalizado apenas no dia seguinte, sexta-feira (16).

Como foi o acidente

O Fiat Punto estava retornando de uma festa em Mafra para São Bento do Sul, segundo informaram os Bombeiros Militares. Em uma curva, o motorista do Punto perdeu o controle do veículo, foi para a contramão e bateu de frente na Ecosport, provocando a morte da menina Alicia.

A PRF (Polícia Rodoviária Federal) de Rio Negrinho afirmou, na época do caso, que o condutor do Fiat/Punto, que causou o acidente, estava sob efeito de álcool e foi conduzido à Polícia Civil para prisão em flagrante.

*Com informações de Felipe Bambace, repórter da NDTV Record.

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