Entrevista: Bia Haddad está rumo à sua ‘melhor versão’, diz Meligeni, que tem recado aos haters

Há uma semana, a tenista brasileira Bia Haddad, 27 anos, chegara a uma épica semifinal de Roland Garros. O Arena ND+ entrou em contato com um dos maiores nomes do tênis no Brasil, Fernando Meligeni, que atualmente é comentarista nos canais ESPN. O “Fininho” – como é nacionalmente reconhecido – rasgou elogios à tenista paulistana, revelou que acredita muito no “mental” da atleta, mas prefere não projetar o futuro de Bia Haddad.

Fernando Meligeni é um grande entusiasta do tênis de Bia Haddad

Fernando Meligeni esteve em Florianópolis, na edição da Copa Davis, no começo de 2023 – Foto: Leo Munhoz/ND

“Aprendi jogando, dentro da quadra de tênis, que ninguém pode dizer até onde eu podia chegar, não vou cometer esse mesmo erro que cometeram comigo”, observou o argentino de nascimento e brasileiro de coração, Fernando Meligeni.

O ex-tenista ainda falou da relação com o “ódio” da internet, da responsabilidade de Bia Haddad diante da sua recente marca, além de um desabafo do tempo em que foi atleta.

“Nunca imaginaram que eu poderia ser número 25 do mundo, e acabei chegando.”

Leia a seguir o bate-papo com Fernando Meligeni.

Beatriz Haddad, a Bia Haddad, levou grandes dificuldades a número 1 do mundo; brasileira é a número 10 do mundo na WTA – Foto: AFP/ND

Arena ND: Com a chegada inédita de Bia Haddad na semifinais de Roland Garros, como você vê a trajetória dela, daqui para frente, uma vez que a cobrança deve ser ainda maior?

Fernando Meligeni: Eu acho que é natural a cobrança ser maior, a expectativa é maior. No Brasil a gente tem uma carência de ídolos muito grande, quando aparece uma grande jogadora em qualquer que seja o esporte, a visibilidade vira gigantesca. Vai ter que saber lidar com as críticas. Eu acho que ela tem uma cabeça boa, acho que vai conseguir lidar bem.

Você combate a valentia e o ódio da internet, sobretudo em cima do tênis do Brasil. Resultados como o da Bia, exacerbam o sentimento e os comentários, para o bem e para o mal. Qual sua opinião e como você vê essa “energia” que emana da internet?

Eu defendo o esporte, não tenho problema com as críticas, não tenho problema com a divergência ou as opiniões diferentes. Todo mundo tem opinião, que todo mundo tem direito a dar. Só acho que você não pode atacar às pessoas.

Tem uma coisa que não me deixa ficar calado é porque eu sei o quanto esses jogadores, a gente como atleta, o pouco que é dado para a gente chegar onde chegou. Para uma pessoa sentada com um teclado na frente pode falar o que quer.

Eu, infelizmente ou felizmente, não aceito esse tipo de desaforo, ou essas palavras ridículas que algumas pessoas falam. Sempre vou combater, sempre vou expor e sempre vou defender quando alguma atleta ou nosso esporte está sendo atacado injustamente.

Fernando Meligeni esteve, recentemente, em Florianópolis – Foto: Luiz Candido/LuzPress/CBT

Diante de uma modalidade tão mental, como ainda, no seu entendimento, se blindar a fim de disputar jogos como o da semifinal de Roland Garros?

Eu acho que não dá para se blindar ou se esconder. Acho que hoje o atleta tem que ser muito mais forte mentalmente que já era na minha geração. Hoje você tem a proximidade de todo mundo. Se por um lado é muito bom a internet, você também tem os ônus que te complicam. Aprendemos no tênis que não dá para ganhar todo dia. Tem que saber lidar, é saber se posicionar.

O certo é saber que hora tem que entrar em ‘dividida’, saber que horas tem que se distanciar um pouco da internet, tem hora que tem que aproveitar a internet pra te ajudar na carreira, mas tem horas que não.

Uma breve descrição do tênis praticado pela Bia Haddad e onde, exatamente, enxergas que ela pode chegar?

Acho que você querer prever até onde um atleta pode chegar você vai cometer uma injustiça muito grande. Aprendi jogando, dentro da quadra de tênis, que ninguém pode dizer até onde eu podia chegar, não vou cometer esse mesmo erro que cometeram comigo. Nunca imaginaram que eu poderia ser 25 do mundo, e acabei chegando. Não posso chegar e falar que a Bia vai ser número 1 do mundo, nem que ela vai chegar ao número onde ela está [atualmente 10ª no ranking da WTA], seria muito injusto, a gente não tem essa bola de cristal. O que eu sei é que ela é uma atleta com muito talento, muita personalidade, muito trabalhadora e ela vai chegar, provavelmente, na sua melhor versão. Qual é ela? Só o tempo vai dizer e a gente tem que estar torcendo e ajudando ela de alguma maneira.

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